domingo, 16 de outubro de 2011

Crônicas de 15 anos de Historia/ Ai no namida



Me lembro que tinha ao redor de 10 anos naquela época ainda morava na província de Ishikawa. Era uma noite de outono e nossos pais haviam saído. Eu terminara a lição de gramatica. Já estava quase na hora de ver meu programa de Manzai preferido na Tv fuji, desci pela escada a passos apressados. Estranhei quando encontrei o fusuma da sala fechado e fiquei intrigado, me aproximei lentamente e agucei o ouvido, uma melodia me chegou baixinha. Alguem estava na sala e , sabia, não podia ser outra pessoa senão meu irmão Tatsuma! Decidi pegar lhe um susto em pagamento de todas as vezes que ele me havia feito a mesma coisa. Cuidadosamente abri o fusuma, preparado para o bote. Foi então que me deparei com a cena que marcou minha adolescência.


A tela da Tv mostrava três jovens mulheres sentadas em cadeiras individuais, num cenario de fundo purpura. Interpretavam uma musica tão singela como uma melodia de natal que me tocou o coração de imediato, mas no principio não foi isso que me impactou e sim o rosto de Tatsu-kun de dezoito anos banhado em lagrimas. Fiquei estático sem saber o que fazer. Meu irmão era meu herói, meu ídolo. Me protegia quando algum valentão da escola implicava comigo, argumentava a meu favor quando meus pais me davam sermões, me dava seu guarda-chuva quando chovia e quando fazia sol me comprava sorvete. A figura dele era forte demais em mim, vê-lo naquele estado me deixou desconcertado. Dei um passo em falso e ele me viu, achei que não deveria continuar presenciando aquilo. Tinha medo. Decidi sair correndo, porem antes que meus pés tomassem seu destino e esquecer aquela imagem, ele me chamou.
Me sentei no sofá ao seu lado. Rígido e de olhos abertos de par em par. Ele continuava a derramar as lagrimas em silencio, como se não tivesse vergonha de chorar. Os segundos se converteram em minutos e a musica singela como melodia de natal me penetrou mais e mais e fui me acalmando. Era como se aos poucos minha alma infantil começasse a amadurecer e entender tudo aquilo. Na Tv a moça de cabelos dourados também começou a chorar, logo a moça sentada a sua esquerda de cabelos curtos da mesma forma chorava, seguida pela outra sentada a direita. Era um momento surreal para um garoto de 10 anos, mas quase ao final da musica eu me senti   aliviado e me entreguei aquele sonho, perdendo a vergonha.

- Quem são elas?- Perguntei - porque elas estão chorando?

Meu irmão me disse seus nomes, mas não respondeu a segunda pergunta apenas me disse:

- É uma longa historia você não vai entender.
- E porque você esta chorando?- insisti
- O que você acha dessa musica? - ele me respondeu com uma pergunta.
- Gosto dela, me faz lembrar santa-san.

Ele sorriu secando  as lagrimas, e me fez um cafuné tosco na cabeça.

- Então porque você esta chorando? - Voltei a perguntar
- Algum dia você vai entender. - Ele me respondeu.

A musica chegou ao final e as garotas se abraçaram, elas eram: Abe Natsumi, Lida kaori e Nakazawa Yuko, a mulher ,que anos mais tarde, eu passaria a admirar com toda as forças. Aquela musica tão singela como melodia de natal, era simplesmente " Ai no tane".

O tempo passou e minha familia veio morar em Tokyo. Na noite do ultimo dia 30 de setembro. Voltava do Budokan com aquele sentimento profundo relembrando aquela cena de 12 anos atrás. Depois de me despedir de meus amigos e de minha namorada, não pude resistir mais. Sentei em frente de casa e as lagrimas caíram imparáveis. Na casa vizinha uma porta soou e uma menininha de 6 anos veio correndo até mim com aquela alegria de criança, mas quando me viu se deteve assustada. Ficou me observando por um tempo, logo se aproximou se ajoelhou diante de mim.

-Tio. Porque o senhor esta chorando?

Fiquei calado por um tempo antes de responder
- O que você acha desta moça? - lhe perguntei mostrando a foto da Ai-chan estampada na minha camiseta.
-  Ela é bonita – me respondeu- parece a boneca que santa-san me deu no natal.

Eu sorri. Lhe acaricie rosto e lhe dei um abraço bem forte.
- Você esta chorando por essa moça tio?
- Você vai entender algum dia kasumi-chan, algum dia. - eu lhe disse.

Takahiro Yoshida, 22 anos, Tokyo.

"O que significa Morning Musume pra mim? ...um sentimento profundo de esperança que só se mede com uma lagrima."

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